Marte características, estrutura, paisagem e as novas descobertas da Nasa
Marte é o quarto planeta a partir do Sol e um dos corpos celestes mais estudados da astronomia contemporânea. Conhecido como Planeta Vermelho, ele apresenta uma combinação de características que o tornam especialmente relevante para a ciência planetária: uma superfície rochosa marcada por crateras, vulcões e cânions, calotas polares, uma atmosfera muito rarefeita e evidências de que, no passado remoto, possuía condições ambientais muito diferentes das atuais.
O interesse científico por Marte não se limita à sua aparência ou à possibilidade de futuras missões tripuladas. O planeta conserva registros geológicos de bilhões de anos, incluindo indícios de antigos ambientes aquáticos e moléculas orgânicas. Em 2026, novas análises realizadas pelos robôs Curiosity e Perseverance, da NASA, acrescentaram informações importantes sobre a história da água, da atmosfera e da química marciana.
Marte no Sistema Solar
Marte ocupa a quarta posição na ordem dos planetas a partir do Sol, depois de Mercúrio, Vênus e Terra. Sua distância média em relação ao Sol é de aproximadamente 228 milhões de quilômetros, equivalente a cerca de 1,5 unidade astronômica (UA). Como sua órbita é elíptica, essa distância varia ao longo do percurso orbital.
A luz solar leva aproximadamente 13 minutos para chegar a Marte. O planeta completa uma órbita ao redor do Sol em aproximadamente 687 dias terrestres, enquanto seu período de rotação é de cerca de 24 horas e 37 minutos. Essa semelhança entre a duração do dia marciano e o terrestre é uma das características que tornam Marte particularmente interessante para comparações planetárias.
A distância entre Marte e a Terra também não é fixa. Como os dois planetas se deslocam em órbitas diferentes, a separação entre eles aumenta e diminui continuamente. Dependendo da posição orbital de cada planeta, essa distância pode variar de dezenas a centenas de milhões de quilômetros. Por essa razão, não existe uma única distância permanente entre a Terra e Marte.
Dimensões e estrutura
Marte possui um raio médio de aproximadamente 3.390 quilômetros, portanto seu diâmetro é de cerca de 6.780 quilômetros. Seu diâmetro corresponde a aproximadamente metade do terrestre. Apesar de menor que a Terra, Marte possui uma área superficial comparável à área dos continentes terrestres somados.
A estrutura interna marciana apresenta três componentes principais: núcleo, manto e crosta. Segundo dados reunidos pela NASA, o núcleo possui raio estimado entre aproximadamente 1.500 e 2.100 quilômetros e é constituído principalmente por ferro, níquel e enxofre. Acima dele encontra-se o manto rochoso, enquanto a crosta apresenta espessura aproximada entre 10 e 50 quilômetros.
Essas características revelam que Marte, apesar de sua aparência desértica, possui uma história geológica complexa. Seu interior preserva informações sobre a formação e a evolução dos planetas rochosos do Sistema Solar.
Por que Marte é vermelho?
A conhecida coloração avermelhada de Marte está relacionada principalmente à presença de ferro oxidado nas rochas, no regolito e na poeira que cobre grande parte de sua superfície. Em termos simples, trata-se de um processo semelhante à ferrugem observada na Terra.
Entretanto, Marte não é completamente vermelho. Fotografias e análises da superfície revelam tonalidades marrons, douradas, alaranjadas e amareladas, dependendo da composição mineral, da iluminação e da quantidade de poeira presente. A fina poeira marciana pode ser transportada pela atmosfera e contribuir para a aparência avermelhada observada à distância.
Essa característica explica também por que antigas civilizações associaram o planeta à cor do sangue e à guerra. Os romanos deram-lhe o nome de Marte, seu deus da guerra.
Os polos de Marte
Marte possui duas regiões polares cobertas por calotas de gelo. Elas apresentam uma composição dinâmica, influenciada pelas estações do planeta.
Existe gelo de água nas regiões polares e abaixo da superfície. Durante os ciclos sazonais, parte do dióxido de carbono atmosférico também pode congelar, formando depósitos de gelo de CO₂. Assim, as calotas polares não são estruturas completamente permanentes e imutáveis.
A inclinação do eixo marciano é de aproximadamente 25 graus, valor próximo à inclinação terrestre, de aproximadamente 23,4 graus. Essa característica produz estações do ano em Marte, embora elas sejam mais longas devido ao período orbital maior do planeta.
Montanhas e vulcões gigantescos
Entre as estruturas mais impressionantes de Marte encontra-se o Olympus Mons, considerado o maior vulcão conhecido do Sistema Solar.
O Olympus Mons alcança aproximadamente 22 a 25 quilômetros acima das planícies circundantes, dependendo do critério utilizado para medir sua altura. A NASA informa que, tomando como referência sua base, ele ultrapassa 40 quilômetros de altura, sendo muito superior ao Monte Everest quando comparadas suas respectivas elevações. Sua enorme base ocupa uma área aproximadamente comparável à do estado norte-americano do Arizona.
Outro acidente geográfico extraordinário é o Valles Marineris, um gigantesco sistema de cânions que se estende por aproximadamente 3.870 quilômetros. Em determinados pontos, chega a cerca de 600 quilômetros de largura e 9,3 quilômetros de profundidade. Sua dimensão é tão grande que ultrapassa em muito a escala do Grand Canyon terrestre.
Essas estruturas demonstram que Marte possui uma geologia de proporções planetárias. Vulcanismo, impactos de asteroides, erosão e antigas interações com água contribuíram para construir a paisagem que observamos atualmente.
A antiga presença de água
Um dos principais objetivos da exploração marciana é compreender o papel que a água desempenhou na história do planeta.
A superfície de Marte apresenta antigos vales fluviais, deltas, leitos de lagos e minerais associados à presença de água líquida. Esses registros indicam que Marte foi, em determinados períodos de sua história, mais quente e úmido do que é atualmente.
Hoje, entretanto, a atmosfera marciana é extremamente fina. Sob as condições atuais, a água líquida não consegue permanecer estável durante longos períodos na superfície. Grande parte da água existente encontra-se na forma de gelo, especialmente nas regiões polares e no subsolo.
Essa diferença entre o Marte antigo e o Marte atual constitui uma das questões fundamentais da ciência planetária: o que provocou a transformação de um planeta que possuía ambientes aquáticos em um mundo frio, seco e de atmosfera rarefeita?
O que os robôs Curiosity e Perseverance estão descobrindo?
A exploração de Marte ganhou uma nova dimensão com os robôs Curiosity e Perseverance, que investigam regiões diferentes do planeta.
O Curiosity explora a região da cratera Gale desde 2012. O Perseverance pousou na cratera Jezero em 2021, região que anteriormente abrigou um lago e um sistema fluvial. Os dois veículos funcionam como verdadeiros laboratórios científicos móveis.
Moléculas orgânicas em Marte
Uma das descobertas recentes mais importantes ocorreu em 2026. Pesquisadores anunciaram que uma amostra de rocha analisada pelo Curiosity apresentou a maior diversidade de moléculas orgânicas já identificada em Marte.
Foram identificadas 21 moléculas contendo carbono, das quais sete haviam sido detectadas pela primeira vez em Marte. Entre elas estava um heterociclo nitrogenado, estrutura química considerada relacionada a precursores de moléculas mais complexas envolvidas na química da vida, como RNA e DNA.
É importante, porém, estabelecer uma distinção científica fundamental: a presença dessas moléculas não constitui uma descoberta de vida marciana. A própria NASA destaca que elas podem ter sido produzidas por processos biológicos ou geológicos. O resultado demonstra que Marte possui uma química orgânica mais diversificada do que anteriormente conhecida, mas não determina sua origem.
Um passado aquático mais complexo
Em setembro de 2026, uma pesquisa baseada em dados do Perseverance trouxe novas informações sobre a chamada Margin Unit, na borda interna da cratera Jezero.
Os pesquisadores identificaram evidências de que determinadas rochas sofreram interação com água em pelo menos três episódios diferentes. Os processos envolveram águas subterrâneas ricas em dióxido de carbono, o antigo lago de Jezero e, posteriormente, um episódio envolvendo água subterrânea aquecida.
A presença de minerais como carbonatos, sílica e fluorita ajudou os cientistas a reconstruir essa sequência de alterações. Algumas dessas reações são particularmente importantes para a astrobiologia porque determinados processos envolvendo água, minerais e fontes de energia podem criar ambientes potencialmente favoráveis à atividade microbiana.
Uma janela para os primeiros bilhões de anos
Outro resultado divulgado em 2026 veio da investigação de rochas muito antigas na região de Jezero.
O Perseverance encontrou uma sequência rochosa com aproximadamente 75 metros de espessura, provavelmente formada há mais de 3,9 bilhões de anos. As evidências indicam que sucessivos impactos de asteroides contribuíram para construir essas camadas.
Essa descoberta é especialmente significativa porque Marte não possui tectônica de placas comparável à terrestre. Na Terra, a reciclagem da crosta e a intensa atividade geológica destruíram ou modificaram grande parte dos registros das primeiras eras do planeta. Marte, por outro lado, preservou algumas dessas estruturas antigas.
Marte e a busca por vida
A possibilidade de vida em Marte deve ser tratada com cautela científica. Até o momento, não existe confirmação de vida presente ou passada no planeta.
O objetivo das missões modernas é procurar evidências de ambientes que poderiam ter sido habitáveis e, principalmente, sinais químicos ou minerais que possam indicar processos biológicos antigos.
Nesse contexto, moléculas orgânicas, minerais formados pela interação com água e estruturas geológicas antigas são peças de um grande quebra-cabeça. Nenhuma delas, isoladamente, comprova a existência de organismos marcianos. Entretanto, quando analisadas em conjunto, ajudam a reconstruir as condições ambientais existentes bilhões de anos atrás.
Marte é muito mais do que um planeta vermelho situado próximo à Terra. Sua superfície preserva uma espécie de arquivo geológico do passado do Sistema Solar. Montanhas vulcânicas gigantescas, cânions colossais, crateras antigas, calotas polares e depósitos minerais relacionados à água revelam uma história extremamente dinâmica.
As pesquisas mais recentes da NASA acrescentam novas dimensões a esse conhecimento. A identificação de uma diversidade inédita de moléculas orgânicas pelo Curiosity e a reconstrução de múltiplos episódios de interação entre água e rochas pelo Perseverance mostram que o passado marciano foi provavelmente mais complexo do que sua atual aparência árida sugere.
O grande desafio científico permanece: compreender quando Marte perdeu grande parte de sua água e de sua atmosfera, como seu clima se transformou e se algum ambiente marciano do passado chegou a abrigar vida. As respostas talvez estejam preservadas nas rochas que os robôs continuam examinando.
Marte, portanto, não representa apenas um destino para futuras explorações espaciais. Ele constitui também um laboratório natural para compreender a evolução dos planetas rochosos — inclusive a própria história da Terra.
Referências científicas
- NASA Science. Mars: Facts. NASA.
- NASA/JPL-Caltech. NASA’s Perseverance, Curiosity Panoramas Capture Two Sides of Mars. 27 abr. 2026.
- NASA/JPL. NASA’s Curiosity Finds Organic Molecules Never Seen Before on Mars. 21 abr. 2026.
- NASA/JPL. NASA Discovery Reveals Complex Water Systems on Early Mars. 21 set. 2026.
- NASA/JPL. NASA’s Perseverance Rover Reads Record of Ancient Mars Impacts. 15 jul. 2026.
